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Paulo VI, em Fátima - 13 Maio 1967

Domingo, 08.03.15

PauloVIFátima17.jpg

 13 de Maio de 1967 - O Bem Aventurado Papa Paulo VI, apresenta a Vidente Lúcia dos Santos à multidão. a Testemunha viva, da Mensagem.

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publicado por P. Alípio Barbosa às 20:09

Adoração diante do SSmo. no Dia dos Pastorinhos, 20 Fevereiro

Domingo, 08.03.15

ADORAÇÃO COM O SANTÍSSIMO SOLENEMENTE EXPOSTO, NO DIA DOS PASTORINHOS

 

Cântico de entrada

Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo. Estamos aqui. ( 2X)

Para louvar, e agradecer, bem dizer e adorar:/Estamos aqui ó Senhor ao teu dispôr,

Para louvar, e agradecer, bem dizer e adorar:/E aclamar Deus trino de amor.

Graças e louvores se Deem a cada momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento (3X)

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.

E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

Cântico  --- 

 

 

 

 

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publicado por P. Alípio Barbosa às 20:07

O Rosário da Virgem Maria - Rosarium Virginwe Marae, de S. João Paulo II

Domingo, 08.03.15

CARTA APOSTÓLICA

ROSARIUM VIRGINIS MARIAE

 

DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II AO EPISCOPADO

AO CLERO E AOS FIÉIS SOBRE O ROSÁRIO

 

 

 

 

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publicado por P. Alípio Barbosa às 19:52

CHRISTI MATRI ROSARII, Carta Encíclica do Bem Aventurado Paulo VI, 15-09-1966

Domingo, 08.03.15

CARTA ENCÍCLICA
CHRISTI MATRI ROSARII


DE SUA SANTIDADE
PAPA PAULO VI 
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E A TODOS OS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

PARA A VERDADEIRA E
DURADOURA PAZ

 

Veneráveis Irmãos,
Saudação e bênção apostólica

 

INTRODUÇÃO

  1. Durante o mês de outubro costuma o povo cristão tecer, quais místicas grinaldas, a oração do Rosário, à Mãe de Cristo. E nós, que a exemplo de nossos predecessores aprovamos vivamente essa prática, convidamos neste ano todos os filhos da Igreja a tributar à Bem-aventurada Virgem, especiais testemunhos de piedade.

Motivos de grave apreensão

  1. Adensa-se o perigo de grave e dura calamidade que ameaça a família humana, pois, especialmente nas regiões da Ásia oriental, combate-se com derramamento de sangue e lavra guerra cruel. Sentimo-nos, por isso, levados a empreender novamente e com maior insistência tudo o que está ao nosso alcance, para garantir a paz. Causam-nos outrossim preocupação as notícias do que, também em outras regiões do mundo, está acontecendo: corrida sempre maior aos armamentos nucleares, nacionalismos, racismos, movimentos revolucionários, forçada divisão dos cidadãos, criminosos atentados, morticínio de pessoas inocentes. Tudo isso pode ser a centelha de um imane flagelo.

Multiforme e contínua atividade para manter a paz

  1. Como aos nossos últimos predecessores, também a nós parece ter sido confiada, pela Providência de Deus, a tarefa especial de conservar e consolidar a paz, assumindo com trabalho paciente e incansável o dificultoso empenho. Esta responsabilidade nasce evidentemente do fato de nos ter sido confiada toda a Igreja que, "vexilo erguido entre as Nações" (cf. Is 11,12), não busca interesses políticos, mas deve proporcionar ao gênero humano a verdade e a graça de Jesus Cristo, seu divino Fundador.
  2. Com efeito, desde que assumimos nosso ministério apostólico, nada omitimos para conservar a paz no mundo, com a oração, o estímulo e a exortação. Além disso, como bem lembrais, no ano passado, fomos de avião à América do Norte para falar do desejado bem da paz, à distinta Assembléia das Nações Unidas, onde estavam representadas quase todas as Nações do mundo; lá admoestamos a que não se permita mais que sejam alguns inferiores aos outros, mas que, pelo contrário, contribuam todos com zelo e com a ação para restabelecer a paz. Depois disso, movidos pela solicitude apostólica, não cessamos de exortar a que se faça todo o esforço a fim de que seja afastada dos homens uma imane calamidade.

Reunir-se e encaminhar leais e solícitos tratados de paz

  1. Elevamos agora, mais uma vez, a nossa voz "com grande brado e com lágrimas" (Hb 5,7) para rogar insistentemente aos governantes, que se empenhem por não deixar que o incêndio se alastre, antes, por que se extinga totalmente. Não duvidamos que todos os homens, de qualquer raça, cor, religião e ordem social, que nutrem desejos de justiça e honestidade, tenham as nossas mesmas convicções. Portanto, criem os responsáveis as condições necessárias para que sejam depostas as armas, antes que o precipitar dos acontecimentos tolha a possibilidade de depô-las. Saibam aqueles em cujas mãos estão as sortes da família humana, que neste momento lhes incumbe um gravíssimo dever de consciência. Consultem e examinem a própria consciência, pensando em seus respectivos povos, no mundo inteiro, em Deus e na história; lembrem-se de que seus nomes serão benditos pela posteridade, se atenderem com sabedoria a este nosso apelo. Em nome do Senhor bradamos: detende-vos! É preciso promover reuniões para se chegar com sinceridade a leais tratados de paz. Este é o momento de conciliar as divergências, mesmo à custa de qualquer sacrifício ou prejuízo, para que não aconteça que se tenham de resolver mais tarde com imensos danos e após dolorosíssimos morticínios. É preciso, todavia, estabelecer uma paz fundada na justiça e liberdade dos homens, isto é, paz que leve em consideração os direitos das pessoas e das comunidades, pois, de outra forma, será uma paz incerta e instável.

A paz, inestimável dom do Céu

  1. Lembrando, com ânimo comovido e ansioso, essas coisas, sentimos a necessidade, sugerida pela nossa responsabilidade pastoral, de invocar o auxílio do Céu; ao Príncipe da paz (Is 9,6) devemos pedir "esse bem tão grande, que entre os bens da terra e do tempo, nenhum se ouve mencionar com maior agrado, nenhum se pode ambicionar com maior ardor, nenhum que seja mais perfeito" (Sto. Agostinho, De civ. Dei 19, 11; PL 41, 637). E porque nos momentos de incertezas e de angústias a Igreja recorre à intercessão valiosíssima daquela que é sua Mãe, dirigimos a Maria, veneráveis Irmãos, o nosso e o vosso pensamento, bem como o de todos os cristãos; Ela, em verdade, como diz Santo Ireneu "tornou-se a causa da salvação de todo o gênero humano" (Adv. Haer. 3,22; PG 7, 959).

Intercessão valiosa: a de Maria, Mãe da Igreja e Rainha da paz

  1. Nada nos parece mais oportuno e importante do que elevar ao Céu as súplicas de toda a cristandade, para invocar a Mãe de Deus, a Rainha da paz, a fim de que, em tantos sofrimentos e angústias, derrame copiosamente os dons de sua materna bondade. Desejamos que lhe sejam dirigidas assiduamente intensas orações, a Ela que, durante o Concílio Ecumênico Vaticano II, com a aprovação dos Padres e do orbe católico, proclamamos Mãe da Igreja, confirmando solenemente uma verdade da tradição antiga. De fato, a Mãe do Salvador é "certamente mãe dos seus membros", como ensinaram Santo Agostinho (De sanct. virg. 6; PL 40, 399), e com ele, para não citar outros, Santo Anselmo, dizendo: "Que dignidade maior pode ser conhecida do que a de ser mãe daqueles de quem Cristo se dignou ser pai e irmão?" (Or. 47; PL 158, 945). Leão XIII, nosso predecessor, a chamou "Mãe da Igreja, no modo mais real" (Epíst. Enc. Adiutricem populi christiani, 5 de setembro de 1895; Acta Leon. 15, 1896, p. 302). Não é, pois, em vão que, angustiados por esta terrível perturbação, colocamos em Maria nossa esperança.
  2. Uma vez que, aumentando os perigos é preciso que aumente a piedade do povo de Deus, desejamos, veneráveis Irmãos, que, com vosso exemplo, com vossa exortação, com vosso estímulo, mais insistentemente se invoque a clementíssima Mãe do Senhor, durante este mês de outubro, com a devoção do Rosário. Esta oração, de fato, está ao alcance da mentalidade do povo; é muito agradável à Virgem e eficacíssima para implorar os dons celestes. Com clara indicação, embora não expressamente, recomendou o Concílio Ecumênico a todos os filhos da Igreja, a oração do Rosário, exortando "que estimem grandemente as práticas e devoções aprovadas pelo Magistério através dos tempos" (Const. Dogm. Lumen Gentium, 67).
  3. Essa oração não só tem grandíssima eficácia em repelir os males e em afastar as calamidades, como demonstra claramente a história da Igreja, mas ainda nutre abundantemente a vida cristã, "antes de tudo, alimenta a fé católica com a meditação oportuna dos mistérios divinos e eleva a mente às verdades reveladas" (Pio XI, Carta Enc. Ingravescentibus Malis, 29 de setembro de 1937; AAS XXIX,1937, p. 378).

"Dia de súplica"; aniversário de um encontro histórico

  1. No mês de outubro, dedicado à Bem-aventurada Virgem do Rosário, redobrem-se as orações, multipliquem-se as súplicas para que, por sua intercessão, brilhe finalmente sobre os homens a aurora da verdadeira paz, também no campo da religião, que infelizmente, nos dias de hoje, nem todos podem professar livremente. De modo particular desejamos que o dia 4 de outubro, aniversário de nossa viagem de paz à Sede das Nações Unidas, seja celebrado este ano em todo o mundo católico como "dia de súplica pela paz". A vós compete, veneráveis Irmãos, pela piedade que vos distingue e pela importância do assunto, que bem conheceis, prescrever sagradas cerimônias, para que nesse dia a Mãe de Deus e da Igreja seja invocada com unânime fervor pelos sacerdotes, pelos religiosos, pelo povo cristão, e de modo especial pelas crianças ornadas com a flor da inocência, pelos doentes e pelos que sofrem.
  2. Nós também, na Basílica Vaticana, junto ao sepulcro de Pedro, elevaremos naquele dia, uma súplica especial à Virgem Mãe de Deus, defesa do nome cristão e medianeira da paz. Assim, de todos os continentes, ressoando a uma só voz, a oração da Igreja chegará até ao Céu, pois, como diz Santo Agostinho "na diversidade das línguas humanas, uma só é a língua da fé dos corações" (Enarr. in Ps. 54,11; PL 36, 636).
  3. Com clemência de Mãe, olhai, pois, Virgem Santíssima, para todos os vossos filhos! Vede a ansiedade dos sagrados pastores que temem seja lançada uma horrenda tempestade de males sobre os rebanhos que lhes estão confiados. Vede as aflições de tantos homens, pais e mães de família, que, inquietos da própria sorte e da dos seus, estão angustiados com acerbas preocupações. Mitigai os sentimentos dos beligerantes e incuti-lhes "pensamentos de paz"; fazei que Deus, vingador da justiça lesada, restitua aos povos, segundo a sua misericórdia, a desejada tranquilidade e os leve a gozar sempre da verdadeira prosperidade.
  4. Na doce esperança de que a Mãe de Deus acolha benigna a nossa humilde súplica, de todo o coração concedemos a vós, veneráveis Irmãos, ao clero e às populações a vós confiadas, a nossa bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de São Pedro, a 15 de setembro do ano de 1966, quarto de nosso pontificado.

PAULUS PP. VI

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publicado por P. Alípio Barbosa às 19:39

A EUCARISTIA E A VIRGEM MARIA - Bento XVI, In: Sacramentum Caritatis

Domingo, 08.03.15

 

 

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publicado por P. Alípio Barbosa às 19:31

O SANTO ROSÁRIO - Segundo o Bem Aventurado Paulo VI, na Marialis Cultus

Domingo, 08.03.15

Atendamos às sábias e santas Palavras do BearoPaulo VI, sobre o Rosário,

Na Exortação Apostólica 'Marialis Cultus' - N.os 42 a 55:

«.......

O santo Rosário

42.  E queremos em seguida, veneráveis Irmãos, deter-nos um pouco mais longamente sobre a renovação daquele outro exercício de piedade, que já foi chamado "o compêndio de todo o Evangelho": (69) o Rosário, ou então o Terço (ou Coroa), de Nossa Senhora.

Os nossos predecessores dedicaram a esta prática vigilante atenção e diligente solicitude. Assim, mais de uma vez recomendaram a recitação do Rosário, favoreceram a sua difusão, ilustraram a sua natureza, reconheceram-lhe aptidão para desenvolver uma oração contemplativa, de louvor e simultaneamente de súplica, recordaram a sua conatural eficácia para promover a vida cristã e o empenho apostólico.

Nós próprios, desde a primeira audiência geral do nosso pontificado, a 13 de julho de 1963, temos tido ocasião de demonstrar a nossa grande estima pela piedosa prática do Rosário;(70) em momentos sucessivos não deixamos de sublinhar o seu valor, em circunstâncias multíplices, umas ordinárias e outras graves, como quando, numa hora de angústia e de insegurança, publicamos a Carta Encíclica "Christi Matri" (15 de setembro de 1966), para que fossem dirigidas orações suplicantes à bem-aventurada Virgem do Rosário, para impetrar de Deus o supremo bem da paz; (71) apelo, esse, que renovamos na nossa Exortação Apostólica "Recurrens mensis October" (7 de outubro de 1969), com a qual comemorávamos o quarto centenário da Carta Apostólica "Consueverunt Romani Pontífices" do nosso predecessor São Pio V, que nela ilustrou e, de algum modo, definiu a forma tradicional do Rosário. (72)

 

43.  E esse nosso interesse assíduo pelo que se refere à tão querida devoção do Rosário da bem-aventurada Virgem Maria levou-nos a acompanhar sempre, com ânimo atento, os numerosos convênios dedicados nestes últimos anos à pastoral do mesmo Rosário no mundo contemporâneo; convênios promovidos por associações e por pessoas singulares, às quais está profundamente a peito a mesma devoção do Rosário, e nos quais participaram bispos, presbíteros, religiosos e leigos de comprovada experiência e de manifesto sentido eclesial. Entre eles, é justo recordar os Filhos de São Domingos, por tradição guardiães e propagadores dessa tão salutar devoção. Aos trabalhos de tais convênios têm vindo a juntar-se as investigações dos historiadores, conduzidas, não com sentido de definir, quase com intuitos arqueológicos, qual a forma primitiva do Rosário, mas, sim, para apreender-lhe as intuições originais, a energia primigênia e a estrutura essencial. De tais convênios e investigações apareceram, mais nitidamente, quais as características primárias do Rosário e quais os seus elementos essenciais e a mútua relação existente entre eles.

44.  Assim, por exemplo, apareceu numa luz mais viva a índole evangélica do mesmo Rosário, na medida em que se salientou que ele vai haurir ao Evangelho o enunciado dos mistérios e as fórmulas principais; no Evangelho se inspira, ainda, a sugestão para aquela atitude com que o fiel o deve recitar, a partir da jubilosa saudação do Anjo e do correspondente assentimento religioso da Virgem Maria; e do Evangelho, enfim, lembra, no suceder-se das Ave-Marias, um mistério fundamental, a Encarnação do Verbo, contemplado no momento decisivo da Anunciação feita a Maria. O Rosário, por conseguinte, é uma oração evangélica, como hoje em dia, talvez mais do que no passado, gostam de a definir os pastores e os estudiosos.

 

45.  Foi percebido com maior clareza, além disso, que o ordenado e gradual desenrolar-se do Rosário reflete aquele mesmo modo com que o Verbo de Deus, ao inserir-se por misericordiosa decisão, nas vicissitudes humanas, operou a Redenção. O Rosário, de fato, considera numa sucessão harmoniosa os principais eventos "salvíficos" da mesma Redenção, que se realizaram em Cristo: desde a concepção virginal, passando pelos mistérios da infância, até aos momentos culminantes da Páscoa, a bendita Paixão e gloriosa Ressurreição, e aos efeitos da mesma sobre a Igreja nascente, no dia de Pentecostes, e sobre a Virgem Maria, na altura em que, tendo terminado o exílio terreno, foi assumida em corpo e alma à pátria celestial.

Foi observado, ademais, que a tríplice divisão dos mistérios do Rosário, não só coincide de maneira perfeita com a ordem cronológica dos fatos, mas sobretudo reflete também o esquema do primitivo anúncio da fé e evoca o mistério de Cristo, daquele mesmo modo como ele é visto por São Paulo, no célebre "hino" da Epístola aos Filipenses: despojamento, morte e exaltação (cf. 2,6-11).

 

46.  Oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora, o Rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica. Na verdade, o seu elemento mais característico, a repetição litânica do "Alegra-te, Maria", torna-se também ele, louvor incessante, a Cristo, objetivo último do anúncio do Anjo e da saudação da mãe do Batista: "bendito o fruto do teu ventre" (Lc 1,42). Diremos mais ainda: a repetição da Ave-Maria constitui a urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação dos mistérios; aquele Jesus que cada Ave-Maria relembra é o mesmo que a sucessão dos mistérios propõe, uma e outra vez, como Filho de Deus e da Virgem Santíssima; nascido numa gruta de Belém; apresentado pela mesma Mãe no Templo; um rapazinho ainda, a demonstrar-se cheio de zelo pelas coisas de seu Pai; depois, Redentor, agonizante no horto, flagelado e coroado de espinhos; a carregar a cruz e a morrer sobre o Calvário; por fim, ressuscitado da morte e elevado à glória do Pai, para efundir o dom do Espírito.

É coisa conhecida que, exatamente para favorecer a contemplação e para que a mente estivesse sempre em sintonia com as palavras, se costumava outrora, e tal costume conservou-se em diversas regiões, ajuntar ao nome de Jesus, em cada Ave-Maria, uma cláusula, que chamasse a atenção para o mistério enunciado.

 

47.  Depois, fizeram tais convênios e investigações com que se sentisse, com maior urgência, a necessidade de recordar, ao lado do elemento laudativo e deprecatório, a importância de outro elemento essencial do Rosário: a contemplação. Sem esta, o mesmo Rosário é um corpo sem alma e a sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: "Nas vossas orações, não useis de vãs repetições, como os gentios, porque imaginam que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos" (Mt 6,7). Por sua natureza, a recitação do Rosário requer um ritmo tranqüilo e uma certa demora a pensar, que favoreçam, naquele que ora, a meditação dos mistérios da vida do Senhor, vistos através do coração daquela que mais de perto esteve em contacto com o mesmo Senhor, e que abram o acesso às suas insondáveis riquezas.

 

48.  Mediante a reflexão contemporânea, por fim, puderam ser compreendidas com uma maior precisão as relações existentes entre a Liturgia e o Rosário. Por um lado, foi salientado que o Rosário é como que um rebento que germinou sobre o tronco secular da Liturgia cristã, qual "Saltério da Santíssima Virgem", com que os humildes se pudessem associar ao cântico de louvor e à intercessão universal da Igreja; por outro lado, observou-se ainda, isso aconteceu no declinar da Idade Média, numa época em que o espírito litúrgico se encontrava em decadência e se começava a verificar um certo afastamento dos fiéis da Liturgia, para se ir mais para uma devoção sensível para com a Humanidade de Cristo e para com a bem-aventurada Virgem Maria.

Se em tempos não recuados pôde surgir no espírito de alguns o desejo de ver o Rosário incluído no número das expressões litúrgicas, e, pelo contrário, da parte de outros, levados pela preocupação de evitar erros pastorais do passado, uma injustificada desatenção em relação ao mesmo Rosário, hoje o problema é facilmente solucionável, à luz dos princípios da Constituição Sacrosanctum Concilium: as celebrações litúrgicas e o pio exercício do Rosário não se devem contrapor nem equiparar.(73)

Cada expressão de oração, na verdade, conseguirá ser tanto mais fecunda, quanto mais conservar a sua verdadeira natureza e a fisionomia que lhe é própria. Reafirmando, portanto, o valor proeminente dos atos litúrgicos, não será difícil reconhecer que o Rosário é um exercício de piedade que se harmoniza facilmente com a sagrada Liturgia. Como a Liturgia, efetivamente, também o mesmo Rosário tem uma índole comunitária, se nutre da Sagrada Escritura e gravita em torno do mistério de Cristo. Depois, muito embora em planos essencialmente diversos, anamnese na Liturgia e memória contemplativa no Rosário têm por objeto os mesmos eventos "salvíficos" realizados por Cristo. A primeira torna presentes, sob o véu dos sinais, e operantes, de modo misterioso, os máximos mistérios da nossa Redenção; a segunda, por sua vez com o piedoso afeto da contemplação, reevoca na mente daquele que ora esses mesmos mistérios e estimula nele a vontade para haurir aí normas de vida.

Estabelecida esta diferença substancial, não há quem não veja ser o Rosário um pio exercício que à Liturgia foi buscar a sua motivação e que, se for praticado de acordo com a sua inspiração originária, a ela conduz, naturalmente, sem no entanto transpor o seu limiar. A meditação dos mistérios do Rosário, de fato, ao tornar familiares à mente e ao coração dos fiéis os mistérios de Cristo, pode constituir uma ótima preparação, e vir a ser, depois, um eco prolongado da celebração dos mesmos mistérios nos atos litúrgicos. É erro, todavia infelizmente, ainda a subsistir nalguns lugares, o recitar o Rosário durante a ação litúrgica.

 

49.  O Rosário (Terço-Coroa) da bem-aventurada Virgem Maria, segundo a tradição que foi acolhida e autorizadamente proposta pelo nosso predecessor São Pio V, consta de vários elementos, dispostos de modo orgânico:

a) a contemplação, em comunhão com Maria, de uma série de mistérios da Salvação, sapientemente distribuídos em três ciclos que exprimem: o gozo dos tempos messiânicos; a dor "salvífica" de Cristo; e a glória do divino Ressuscitado que inunda a Igreja. Uma tal contemplação, pela sua natureza, conduz à reflexão prática e suscita estimulantes normas de vida.

b) a Oração Dominical, ou Pai-Nosso, que, pelo seu imenso valor, está na base da oração cristã e a nobilita nas suas diversas expressões.

c) a sucessão litânica da Ave-Maria, que resulta composta da saudação do Anjo à Virgem Santíssima (cf. Lc 1,28) e do bendizente obséquio de Isabel (cf. Lc 1,42), ao que se segue a súplica eclesial Santa Maria. A série continuada das Ave-Marias é uma característica peculiar do Rosário, e o seu número, na forma típica e plenária de cento e cinqüenta, apresenta uma tal ou qual analogia com o Saltério e é um dado que remonta à própria origem do piedoso exercício. Mas esse mesmo número, de acordo com um costume comprovado, dividido em dezenas coligadas a cada um dos mistérios, distribui-se nos três ciclos acima mencionados, dando lugar ao conhecido Terço, de cinqüenta Ave-Marias, o qual entrou em uso qual medida normal do mesmo exercício e, como tal, foi adotado pela piedade popular e sancionado pela Autoridade pontifícia, que o enriqueceu com numerosas indulgências.

d) a doxologia Glória ao Pai, que, em conformidade com uma orientação generalizada da piedade cristã, encerra a oração com a glorificação de Deus, uno e trino, do qual, pelo qual e para o qual são todas as coisas (cf. Rom 11,36).

 

50.  Estes são, pois, os elementos do santo Rosário. Cada um deles tem a sua índole própria, que, acertadamente compreendida e apreciada, deve refletir-se na recitação, a fim de que o mesmo Rosário exprima toda a sua riqueza e variedade. Essa recitação, por conseguinte, tornar-se-á: grave e implorante, na Oração Dominical; lírica e laudativa, no transcorrer calmo das Ave-Marias; contemplativa, na reflexão atenta sobre os mistérios; e adorante na doxologia. E isto, note-se, em todas aquelas maneiras como costuma ser recitado o Rosário: quer privadamente, recolhendo-se aquele que ora na intimidade com o Senhor; quer comunitariamente, ou em família, ou por vários fiéis reunidos em grupo, para criar condições para uma particular presença do Senhor (cf. Mt 18,20), ou, ainda, publicamente, em assembléias para as quais é convocada qualquer comunidade eclesial.

 

51.  Em tempos recentes, vieram a ser criados alguns pios exercícios, que vão buscar inspiração ao santo Rosário. Entre estes, queremos fazer menção e recomendar os que inserem no esquema habitual das celebrações da Palavra de Deus alguns elementos típicos do mesmo Rosário, como por exemplo, a meditação dos mistérios e a repetição litânica da saudação angélica. Tais elementos adquirem assim um maior relevo, enquadrados como são na leitura de textos bíblicos, ilustrados pela homilia, rodeados de pausas de silêncio e sublinhados com o canto. É-nos grato saber que semelhantes exercícios têm contribuído para fazer apreender mais completamente as riquezas espirituais do mesmo Rosário, e para que seja tida em maior apreço a sua prática no seio de associações e de movimentos de jovens.

 

52.  Queremos agora, em continuidade de pensamento com os nossos predecessores, recomendar vivamente a recitação do santo Rosário em família. O Concílio Vaticano II pôs bem em evidência que a mesma família, qual célula primeira e vital da sociedade, "deve mostrar-se, pela mútua piedade dos membros e pela oração dirigida a Deus em comum, como um santuário familiar da Igreja" (AA 11). A família cristã, por conseguinte, apresentar-se-á assim como "Igreja doméstica" (LG 11), na medida em que os seus membros, cada qual no seu lugar e dentro das suas atribuições próprias, se dão as mãos no promover a justiça, no praticar as obras de misericórdia, no dedicar-se ao serviço dos irmãos, tomando parte no apostolado da comunidade local mais ampla e inserindo-se no seu culto litúrgico (AA 11); e, ainda, se elevarem a Deus orações suplicantes, em comum; se viesse a falhar este elemento no seio da família, então faltar-lhe-ia o próprio caráter de família cristã. Por isso, à recuperação da noção teológica da família, como Igreja doméstica, deve, coerentemente, seguir-se um esforço por instaurar na vida da mesma família a oração em comum.

 

53.  De acordo com as diretrizes conciliares, a Institutio generalis de Liturgia Horarum inclui, justamente, o agregado familiar no número dos grupos aos quais se adapta a celebração em comum do Ofício divino: "É conveniente, lê-se aí, que, por fim, também a família, qual santuário doméstico da Igreja, não se limite apenas a elevar a Deus preces em comum, mas recite, conforme as circunstâncias lho facultarem, algumas partes da Liturgia das Horas, para se inserir mais intimamente na mesma Igreja" (n. 27). Por conseguinte, nada se deve deixar de tentar para que esta indicação clara possa vir a ter crescente e feliz aplicação no seio das famílias cristãs.

 

54.  Mas, depois da celebração da Liturgia das Horas ponto culminante a que pode chegar a oração doméstica, não há dúvida de que o Rosário da bem-aventurada Virgem Maria deve ser considerado uma das mais excelentes e eficazes orações em comum, que a família cristã é convidada a recitar. Dá-nos gosto pensar e auspiciamos vivamente que, quando o encontro familiar se transforma em tempo de oração, seja o Rosário a sua expressão freqüente e preferida. Estamos bem conhecedor de que as mudadas condições da vida dos homens, nos nossos dias, não são favoráveis à possibilidade de momentos de reunião familiar; e de que, mesmo quando isso acontece, não poucas circunstâncias se conjugam para tornar difícil transformar o encontro da família em ocasião de oração. É uma coisa difícil, sem dúvida. No entanto, é também característico do agir cristão não se render aos condicionamentos do ambiente, mas superá-los; não sucumbir, mas sim elevar-se. Portanto, aquelas famílias que queiram viver em plenitude a vocação e a espiritualidade própria da família cristã, devem envidar todos os esforços para eliminar tudo o que seja obstáculo para os encontros familiares e para a oração em comum.

 

55.  Ao concluir estas observações, prova da solicitude e da estima desta Sé Apostólica pelo santo Rosário (Terço-Coroa), queremos entretanto recomendar que, na difusão de tão salutar devoção, as suas reais proporções não sejam nunca alteradas, e que jamais ela seja apresentada com inoportuno exclusivismo: o Rosário é uma oração excelente, em relação à qual, contudo, os fiéis se devem sentir serenamente livres, e solicitados a recitá-la com compostura e tranquilidade, atraídos pela sua beleza intrínseca.  .....»

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publicado por P. Alípio Barbosa às 19:15

ATUALIDADE DA MENSAGEM DE FÁTIMA - Por D. António Marto

Domingo, 08.03.15

A MENSAGEM DE FÁTIMA - O QUE TEM DE ESPECIAL E ATUAL?

 

ANTÓNIO MARTO, Bispo de Leiria-Fátima, ,

escreve sobre a Mensagem

na Dedicação da Igreja dos Pastorinhos em MARRAZES

 

«A Mensagem de Fátima

O que há de especial na mensagem de Fátima que justifique a atenção que suscita, a atração que exerce, o amplo eco que alcançou?

 

À primeira vista parece que nada tem de especial porque é uma mensagem confiada a crianças pobres e analfabetas que falam de uma novidade imprevista que as excede mas as atrai e seduz; uma mensagem adaptada à sua mentalidade, ao seu mundo simples de há muitos anos, expressa em conceitos que se referem à linguagem da época e nos podem parecer ultrapassados.

 

Poderá dizer ainda algo ao mundo de hoje?

 

Precisamente por isso impressiona-nos e causa espanto que o contexto e o conteúdo da mensagem não se restringem a um caminho de fé pessoal dos pequenos videntes. 

O seu horizonte é de alcance histórico e mundial: as duas guerras mundiais e os sofrimentos da humanidade com a menção específica de nações como a Rússia, as perseguições à Igreja com a menção dos mártires do século XX e do próprio Papa, a grande causa da paz entre os povos.

 

Tudo isto acompanhado pelo anúncio da misericórdia de Deus e pelo chamamento a não se resignar à banalidade e à fatalidade do mal: é possível vencer o mal a partir da conversão do coração a Deus, da oração e da reparação do pecado dos homens.

 

É dentro deste contexto trágico que a Virgem Maria surge, em Fátima, como uma “visão de paz” e uma luz de esperança para a Igreja e para o mundo.

Naturalmente, as aparições de Nossa Senhora em Fátima não constituem um quinto evangelho ao lado dos quatro evangelhos canónicos. Mas são um eco do Evangelho para ajudar a fé e sustentar a esperança da Igreja e do mundo num momento dramático, como é próprio duma revelação privada; são pois um sinal de Deus para a nossa geração, uma palavra profética para o nosso tempo, uma intervenção divina na história mediante o rosto materno de Maria.

 

O Papa Bento XVI não hesitou em apresentar Fátima como “a mais profética das aparições modernas” e a sua atualidade: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: ‘Onde está Abel, teu irmão? (...) A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim´ (Gen 4, 9)”.

 

E sublinha também a dimensão evangelizadora da mensagem:

Apraz-me pensar em Fátima como escola de fé tendo a Virgem Maria por Mestra; lá Ela ergueu a sua cátedra para ensinar aos pequenos videntes e depois às multidões as verdades eternas e a arte de orar, crer e amar”.

Nesta perspetiva, as práticas devocionais características de Fátima encontram assim um enquadramento teológico e espiritual que lhes dá sentido.

 

Os pedidos da Virgem, na sua substância, permanecem sempre válidos:

  • a conversão do coração,
  • a oração e a adoração,
  • a solidariedade na comunhão dos santos com a Igreja que sofre,
  • a reparação do pecado para resistir ao poder do mal,
  • a consagração ao Imaculado Coração de Maria como expressão da entrega total a Deus,

constituem inspiração para toda a Igreja e para a vida cristã.

 

De facto, Fátima oferece-nos um programa espiritual e pastoral para sermos uma Igreja viva, santa e missionária.

As primícias da resposta à mensagem foram os pastorinhos com o seu testemunho de santidade».

 

† António Marto, Bispo de Leiria-Fátima,

Na Dedicação da Igreja Paroquial aos Pastorinhos de Fátima, 22-02-2015

 

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publicado por P. Alípio Barbosa às 19:08





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